É objetivo, nesta rubrica, estimular atitudes, visando resgatar em sala de aula a prática do conto de histórias, lendas, narrativas e outros registos e usos de cariz comunitário local, em vias de esquecimento, pretendendo compartilhar a experiência não só de ouvir, mas também de contar histórias, visando promover elementos da tradição oral.




CONTOS, LENDAS E OUTRAS NARRATIVAS - Sugestões de leitura enviadas pelo 2.º ano da EBI

Título: A Trapa – Monografia Histórica da Antiga Povoação e Couto do Real Mosteiro de S. Cristóvão de Lafões

Autor: Cónego José Simões Pedro

Fotografias: H. Oliveira

Editora: Eden Gráfica, Viseu

Título: Lendas Lafonenses

Autor: Júlio Cruz

Editora: Eden Gráfica, Viseu

Título: Contos e Lendas da Serra Nostra

Autoras: Várias

Fotografias: H. Oliveira

Editora: Câmara Municipal de S. Pedro do Sul

Título: São Cristóvão de Lafões e o seu Património

Autor: Prof. Luís Filipe Mendes

Editora: Centro de Promoção Social, Junta de Freguesia de S. Cristóvão de Lafões e Câmara Municipal de S. Pedro do Sul

Título: Baú de Memórias

Autores: professoras(es) do Projeto Escolas Rurais

Editora: Câmara Municipal de S. Pedro do Sul

O CRIME DE SERRAZES


O Solar dos Malafayas em Serrazes, concelho de São Pedro do Sul, também conhecido por Casa das Quintãs, foi construído em meados do século XVIII, e habitado por Joaquim Telles de Malafaya Freire d' Almeida Mascarenhas, após ter abandonado o antigo Solar dos Malafayas situado em Santa Cruz da Trapa em virtude de junto a este último ter sido construída uma estrada, o que desagradou ao seu proprietário.
Este solar possui uma capela e na sua fachada pode-se observar um
brasão com a coroa real.
O solar de Serrazes está relacionado com um crime passional cometido em
22 de Julho 1917, em que foi morto o Dr. Augusto Telles de Malafaya, filho legítimo do dono Joaquim (neto de Joaquim Telles de Malafaya Freyre  d' Almeida Mascarenhas). O “crime de serrazes” foi muito falado na época e até foi publicado um livro chamado Uma Causa Célebre (O Crime de Serrazes) por José Soares da Cunha e Costa.
A história do crime resume-se no seguinte: por aquele tempo, chegou à região um açoriano, José Bettencourt, que ficou noivo de Eugénia Malafaia, prima do Dr. Augusto. Pela versão do ramo da família destes últimos, consta que, José Bettencourt despeitado por se ter enganado na escolha das primas e para pretexto de se livrar da noiva, terá inventado ter o Dr. Augusto Malafaia atentado contra o pudor da prima Eugénia. E, assim, pela manhã do dia 26 de Junho de 1917, José Bettencourt e o irmão da noiva, Fernando Novais, vão à Casa das Quintãs procurar Dr. Augusto em desagravo de honra. O Dr. Augusto, não prevendo o que se iria passar, convida-os a entrar e depois de um pequeno diálogo, desmente qualquer envolvimento com a prima. O Dr. Augusto Malafaia foi atingido por quatro tiros de duas automáticas 6.35, do mesmo calibre, para que depois da premeditada fuga (um automóvel esperava-os para os levar à estação) só ao Fernando fosse imputado o crime, em justificada defesa de honra da irmã. Falhado o plano de fuga e presos os assassinos, o escandaloso caso assombrou e apaixonou o país. Formaram-se partidos, os presos muito apadrinhados gozaram de privilégios e o julgamento, em 1919, foi  causa célebre, especialmente pela acção do advogado de acusação Cunha e Costa que conseguiu a pena máxima para os culpados, já considerados impunes. Os réus foram degredados para África, condenados a prisão por toda a vida, tendo sido posteriormente substituído por uma pena de 20 anos. Bettencourt acabou por casar com a sua noiva e Novais retornou à terra, mas nunca mais se resgataram aos olhos de ninguém. A mãe do Dr. Augusto Malafaia, D. Amélia de Pina Falcão Malafaia, ficou com certas perturbações mentais, e nunca deixou lavar o sangue do chão, que seu filho derramou ao ser morto, ficando assim até hoje a marca do sangue no chão.

Turma do 4.° ano da EBI

Sobranceira às Termas de São Pedro do Sul, a Casa do Condado de Beirós interioriza o melhor espírito da arquitetura beirã, envolta em belos jardins e criada numa estrutura quase conventual.
  Alberga as histórias e lendas do 1º
Conde de Beirós e Visconde de Beirós (título criado por D. Luís I, rei de Portugal, por decreto de 25 de maio de 1887), António Tristão Correia de Lacerda Souza e Lebrim (por vezes conhecido pelo apelido Souza e Alvim), nascido em 24.12.1861 em Lourosa, Oliveira do Hospital, e falecido em 1917. 

Era  um conde despreocupado, de aparência alegre, singela e muito convidativa a serões fidalgos. 

Foi casado com Maria Cândida Teles Pacheco, e das orgias principescas que ali, provavelmente com origem nos "Ritos da Fertilidade da Primavera Pagã”, atingiam o pico de distúrbio, desordem, excesso, proporcionados pelas e para as mulheres mais belas da aldeia do Condado e fora dele, também aí seduzidas. 

Existem relatos de que durante a vida do Conde, vários fidalgos e burgueses, ligados à Casa Real, muito frequentadores daquela povoação devido às propriedades termais das suas águas, sentindo-se despeitados com a postura pagã do Conde, tentaram controlar as comemorações  que ali eram celebradas. No entanto, reza a Lenda do Solar de Beirós, que muitos desses fidalgos e burgueses algumas vezes serviam de patronos aos piores excessos  que eram gradualmente assimilados por toda a pequena povoação que cada vez mais se conformava com as festas principescas do então Conde de Beirós. 

Uma das celebrações mais conhecidas na casa, que ainda nos dias de hoje acontecem, mas agora com o nome de “Hilária Real”, é a pândega da “fonte das virgens”, realizada no último mês do 1º trimestre, que celebra a morte do inverno e a celebração do renascimento da natureza. A Lenda do Solar de Beirós, conhecida pelo povo também como a lenda da “Lavagem das Virgens” ou a lenda “da Fonte Virgens”, ou ainda as "Virgens do Fogo Sagrado" tem corpo e razão nas festas pagãs e nas orgias que ocorriam naquela casa, principalmente por altura da Primavera. 

A ligação e relação de amizade do Conde com a família real portuguesa, que chegou a frequentar sua casa, permitiam que, numa época de forte tradição cristã, e alguma perseguição a ritos pagãos, nomeadamente aqueles que atentava a moral e bons costumes socias, estes comportamentos, apesar de censurados, não tivessem consequências. 

Este antigo solar é cheio de história, tem em si memórias de grandes festas medievais que tomaram o palco nos seus imensos quartos, jardins e enormes salas. Atribuem esta predisposição ao carácter convidativo do Conde, que pouco antes de morrer, não tendo descendentes, deu ordem a que todos os que se apresentassem naquela casa com espírito alegre e de convívio fossem bem recebidos. Ainda hoje se crê que o seu espírito vagueia as salas e quartos do Solar vigiando para que os convidados desta casa fidalga sejam bem acomodados. 

O ritual era acompanhado pela música de uma harpa encantada, que ainda hoje, algumas pessoas afirmam ouvir nas noites mais quentes de Verão que convidam a que se refresquem naquela que é chamada a fonte das virgens. A estrutura da casa, entre as paredes e o monte, faz correr o vento que se transforma num som que atribuem ao de uma harpa distante, dando assim espaço à lenda. 

 

As dimensões generosas emolduram um claustro rodeado de dez bonitos quartos e de magníficos salões onde cada recanto é um lugar de conforto… A casa conta também com um museu com vários exemplares de automóveis antigos, dos quais se destacam um Cadillac de 1959 que pertenceu a Elvis Presley, um Champion de 1953, um Lamborghini Miura de 1967, um Aston Martin MKIII de 1957, um Rolls Royce Silver Cloud de 1963, um Meserati Ghibli de 1967, para além dos barcos Riva de madeira de 1964 que foi usado no filme do James Bond ("live and let die"), um Century de 1947 um classe stok de 1956 e um classe ON de 1964, que participou em várias provas de prestígio internacional.

Turma do 4.º ano da EBI

LENDA DO SÃO MACÁRIO 


Macário era filho de um rico castelão e tinha uma vida de festas e de prazeres. Ia muitas vezes à caça com seu pai e seus criados.

Num dia aziago em que perseguiam um javali e o avista, reteza o arco com toda a força e lança, precipitado, uma seta que se vai cravar no peito de seu pai que entrementes surgira detrás de uma rocha, matando-o.

Desesperado, louco de dor, deita a correr por vales e montes, gritando como um possesso: - Matei meu pai…Matei meu pai…

Nunca mais ninguém lhe deitou a vista na sua terra. Os seus julgaram-no morto de desgosto.

Roto e desgrenhado escolheu para se penitenciar um ermo em serra distante. O seu abrigo passou a ser uma grande lapa ou caverna que servira aos animais que dantes perseguia e matava.

Macário, pelo profundo sentimento, pela renúncia a prazeres mundanos e pela oração, mereceu as graças de Deus.

Comia raízes e gafanhotos e nos dias de maior fome e frio, descia aos povoados como um pobrezinho a pedir esmola. Enchiam-lhe o bornal de pães e as brasas para o seu lume levava-as nas palmas das mãos sem se queimar. Todos lhe queriam bem e o tinham por santo.

Um dia em que seguia para o seu tugúrio com as brasas nas mãos, apareceu-lhe no caminho uma linda moça que lhe sorriu, o fez parar e ter lúbricos pensamentos. Era o Demónio. Logo as brasas lhe queimaram a mão e as lançou fora soltando um grito de dor e arrependimento. Recolheu à sua solidão e em jejuns e oração nunca mais o Demónio teve forças para o tentar. Morreu em santidade.

A serra onde se venera, em duas capelinhas, passou a chamar-se, do seu nome, Monte Magaio e hoje, Serra de São Macário onde no último domingo de julho de cada ano acorrem os romeiros de toda a parte para rezarem ao Santo e apreciarem as maravilhosas paisagens que dali se divisam.

 

Recolha: António Gomes Beato

Turma do 2.º ano da EBI

S. PEDRO DO SUL

A Lenda

É rica a tradição oral do nosso povo. 
  As histórias e lendas contadas aos serões ou nos trabalhos do campo vão passando de pais para filhos e vão sofrendo alterações, embora sem prejudicar a sua essência. 
  Diz o povo que na povoação de Sul, uma das mais antigas de Lafões e que já foi vila, houve em tempos uma capelinha nas margens do rio Sul onde se venerava a imagem de São Pedro. Num dia de grande tempestade o rio encheu, as águas revoltas investiram contra os muros da velha capelinha assolando e arrastando tudo na sua passagem. 
  A imagem de São Pedro foi levada pela corrente. Uns homens que andavam à pesca na confluência do Sul com o Vouga conseguiram apanhá-la e logo a reconheceram. Sem qualquer dano, tão perfeita, foi para eles um milagre e logo a ideia de que o Santo desejava ficar naquele tão lindo recanto. 
  Mandaram-lhe fazer uma capela ali próximo, passando a chamar-se capela do São Pedro do Sul e a povoação que ali se veio a formar - São Pedro do Sul -. 
  Uma lenda é sempre lenda, umas mais do que outras assentes em fundamentos de verdade.

Turma do 4.º ano da EBI

A LENDA DA SERRA DA ESTRELA

 Contava a lenda que havia um rei ao qual chegou a notícia de que todas as noites um pastor do alto da serra conversava com uma estrela.
 O rei mandou logo chamar o pastor e ordenou-lhe que lhe desse a sua estrela, prometendo em troca dar-lhe muitas riquezas e muitos dos seus bens.
 O pastor não aceitou, pois preferia ser pobre do que perder a sua estrela. Ao voltar à sua pobre cabana no alto da serra, o pastor ouviu uma doce melodia que era a sua estrela a cantar. Ela estava com receio de que o pastor se deixasse levar pela ambição da riqueza.
 O pastor ficou todo contente e a estrela prometeu que sempre seria sua amiga.
 Então o velho pastor exclamou:
 – De hoje em diante, esta serra há de chamar-se Serra da Estrela.
 Conta a lenda que no alto da serra ainda hoje se vê uma estrela que brilha de maneira diferente das outras estrelas, como que à procura do bom e velho pastor amigo.

Turma do 4.º ano da EBI

LENDA DE SÃO MACÁRIO

Segunda versão 


Diz a lenda que Macário era um homem bom, mas pobre e tinha como profissão almocreve o que o obrigava a fazer grandes viagens. 
  Um dia, numa das suas ausências, os pais dele, pensando que estaria em casa, vieram visitá-lo. Chegaram cheios de fome e frio. 
  Em casa estava apenas a mulher de Macário. Ainda tinha restos de sopa que tinha feito para ela e pão e com isso matou-lhes a fome. Como estava frio e a lenha não era muita a ditosa senhora cedeu a sua própria cama aos sogros para que se aquecessem, enquanto ela foi buscar um molho de lenha. 
  Sem que a esposa soubesse, entretanto Macário chegou de mais uma das suas viagens. Como não viu a esposa foi à cama onde se encontravam duas pessoas a dormir. Como a claridade era pouca no interior do casebre e cego com os ciúmes pensou que seria a sua mulher que dormia acompanhada por alguém, puxou de uma faca e matou-os. Passado algum tempo, a mulher chegou com o molho da lenha e grande foi o espanto de Macário. A mulher perguntou-lhe se os pais já tinham acordado e ele contou-lhe o que tinha acabado de fazer. 
  Ficou tão arrependido que resolveu castigar-se, correndo montes e montes, sempre a pé e sozinho e jurou a si próprio que se um dia se fixasse em algum lugar seria num sítio bem alto, onde não vivesse ninguém e de onde pudesse contemplar a maravilha da Natureza em toda a volta e aí sim adoraria a Deus para o resto da vida. 
  Esse local foi o monte de S. Macário que se situa na serra da Arada e atualmente pertence a três aldeias: S. Martinho das Moitas, Covas do Rio e Sul. 
  Aí viveu pobremente, comendo mel, gafanhotos e répteis assim como rebentos de árvores. 
  Diz igualmente a lenda que, para se aquecer, vinha à povoação mais próxima — Macieira — buscar brasas e as transportava na mão sem se queimar. Porém, um dia, quando transportava as brasas, passou por uma pegureira (pastora) nova, olhou-lhe para as pernas, que por sinal eram jeitosas, e, nesse mesmo instante, queimou-se nas mãos. 
  A lenda não fala da sua morte. 
  No local mais alto do monte foi edificada uma capela onde se venera o santo e cuja festa se realiza sempre no último fim de semana do mês de julho. 

  Mais abaixo, a cerca de trezentos metros de distância da capela referida, encontra-se outra que, segundo a lenda, era onde o santo vivia.

Turma do 4.º ano da EBI

O CALDO DE PEDRA


Contaram-me que, há muitos anos, andava um frade a pedir esmola. Chegou à porta de um lavrador, mas não lhe quiseram dar nada. Então o frade pegou numa pedra do chão, e disse que era boa para se fazer um caldo. A gente da casa pôs-se a rir do frade e daquela lembrança. Diz o frade:  

– Então nunca comeram caldo de pedra? Só lhes digo que é uma delícia.

Responderam-lhe:

– Sempre queremos ver isso… 

Foi o que o frade quis ouvir. Depois de ter lavado a pedra, disse:

– Se me emprestassem um pucarinho…

Deram-lhe uma panela de barro. Ele encheu-a de água e deitou-lhe a pedra dentro.

– Agora, se me deixassem estar a panelinha aí ao pé das brasas. Deixaram. Assim que a panela começou a chiar, disse ele: 

– Com um bocadinho de toucinho é que o caldo ficava de primor. Foram-lhe buscar o pedaço de toucinho. Ferveu, ferveu, e a gente da casa pasmada com o que via. Diz o frade, provando o caldo:

– Está um bocadinho insosso; bem precisa de uma pedrinha de sal. Também lhe deram o sal. Temperou, provou, e disse:

– Agora é que com uns olhinhos de couve ficava que os anjos o comeriam.

A dona da casa foi à horta e trouxe-lhe duas couves tenras. O frade limpou-as e ripou-as com os dedos, deitando as folhas na panela.

 ​ O caldo cheirava que era um regalo…e o frade preparou-se para o comer.

Depois de despejada a panela ficou a pedra no fundo. A gente da casa, que estava com os olhos nele, perguntou-lhe:

– Ó senhor frade, então a pedra? 

Respondeu o frade:

– A pedra lavo-a e levo-a comigo para outra vez. 

E assim comeu onde não lhe queriam dar nada.

Os alunos do 4º ano da EBI:

    Eva

    João Pedro

 

DOM CAIO

 

A minha avó contou-me que havia um alfaiate muito covarde, que costumava trabalhar à porta da rua. Como ele tinha medo de tudo, o seu gosto era fingir-se de valente. Certa ocasião viu muitas moscas juntas e, de uma pancada, matou sete. Dali em diante, não fazia senão gabar-se:

— Eu cá mato sete de uma vez!

Ora o rei andava muito cismado, porque lhe tinha morrido na guerra o seu general Dom Caio, que era o mais valente que havia, e as tropas do inimigo já vinham contra ele. Os que ouviram o alfaiate andar a dizer por toda a parte «Eu cá mato sete de uma vez!» foram logo contar ao rei. Este lembrou-se que ele seria o homem ideal para ocupar o posto de Dom Caio. Veio o alfaiate à presença do rei, e este perguntou-lhe:

— É verdade que matas sete de uma vez?

— Saberá Vossa Majestade que sim.

— Então, nesse caso, vais comandar as minhas tropas, e atacar os inimigos que já me estão cercando.

Mandou vir o fardamento de Dom Caio e fê-lo vestir ao alfaiate. 
Como era muito baixinho ficou com o chapéu de bicos enterrado até às orelhas. Depois disse que trouxessem o cavalo branco de Dom Caio para o alfaiate montar. Ajudaram-no a subir para o cavalo. E ele já estava a tremer como varas verdes. Assim que o cavalo sentiu as esporas, correu à desfilada, e o alfaiate começou a gritar bem alto:

— Eu caio, eu caio!

Todos os que o ouviam por onde ele passava, diziam:

— Ele agora diz que é o Dom Caio; já temos homem…

O cavalo que andava costumado às guerrilhas, correu para o sítio em que andava combate. O alfaiate com medo de cair ia agarrado às crinas, a gritar como desesperado:

— Eu caio, eu caio!

O inimigo assim que viu vir o cavalo branco do general valente, e ouviu o grito «Eu caio, eu caio!» conheceu o perigo em que estava e disseram os soldados uns para os outros:

— Estamos perdidos, que lá vem o Dom Caio; lá vem o Dom Caio…

E desataram a fugir em debandada. Os soldados do rei foram-lhe no encalço e mataram-nos. O alfaiate ganhou assim a batalha só em agarrar-se ao pescoço do cavalo e em gritar «Eu caio.» O rei ficou muito contente com ele. E em paga da vitória, deu-lhe a princesa em casamento. Ninguém fazia senão louvar o sucessor de Dom Caio pela sua coragem.

Os alunos do 4.° ano da EBI:
    Samuel 
    Lara

Frei João Sem-Cuidados

 

Há muitos, muitos anos, o rei ouvia falar em Frei João Sem-Cuidados como um homem que não se afligia com coisa nenhuma deste mundo. E isso provocava-lhe uma certa inveja: 

— Deixa estar, que eu hei de meter-te em trabalhos — pensou o rei para consigo.

Mandou-o chamar à sua presença e disse-lhe:

— Vou dar-te uma adivinha e, se dentro de três dias, não me souberes responder, mando-te matar. Quero que me digas:

 

1.º Quanto pesa a lua?

2.º Quanta água tem o mar?

3.º Que é que eu penso?

 

Frei João Sem-Cuidados saiu do palácio bastante atrapalhado, pensando nas respostas que havia de dar a cada uma daquelas perguntas.

Pelo caminho encontrou o velho moleiro que estranhou ver o frade tão tristonho e de cabeça baixa.

— Olá, Frei João Sem-Cuidados, então por que é que está tão triste?

— É que o rei disse que me mandava matar se, dentro de três dias, não lhe respondesse:quanto pesa a lua, quanta água tem o mar e em que é que ele estava a pensar!...

O moleiro desatou a rir e disse-lhe que não tivesse medo, que lhe emprestasse o hábito de frade, pois ele iria disfarçado e havia de dar boas respostas ao rei.

Passados os três dias, o moleiro, vestido de frade, foi pedir audiência ao rei. Este perguntou-lhe:

— Então, quanto pesa a lua?

— Saberá Vossa Majestade que não pode pesar mais do que um quilo, pois todos dizem que ela tem quatro quartos.

— É verdade. E agora: quanta água tem o mar?

— Isso é muito fácil de saber. Mas como Vossa Majestade só quer saber a água do mar, é preciso primeiro mandar tapar os rios, porque sem isso nada feito…

O rei achou bem respondido, mas, zangado por ver Frei João Sem-Cuidados a escapar-se às dificuldades, tornou:

— Agora, se não souberes que é que eu penso, mando-te matar!

O moleiro respondeu:

— Ora, Vossa Majestade pensa que está a falar com Frei João Sem-Cuidados e está mas é a conversar com o seu moleiro.

O velho moleiro deixou então cair o capucho de frade e o rei ficou pasmado com a esperteza dele e a do João Sem-Cuidados, que tão bem soube fazer-se substituir.

Os alunos do 4º ano da EBI

    Jacinta

    Inês

    Afonso

 

A velhinha e a cabaça

 

Conta a minha mãe que havia uma velhinha que vivia sozinha numa pequena casa junto a um bosque onde ela gostava muito de passear.

Um dia essa velhinha teve de atravessar todo o bosque a pé para ir ao casamento da filha.

Lá ia ela a apreciar o passeio quando encontrou uma raposa, que lhe disse:
– Vou-te comer, velhinha.
– Não faças isso agora – respondeu a velhinha – é que eu vou ao casamento da minha filha e quando voltar venho mais gordinha…
E a raposa deixou-a continuar o seu caminho.

Um pouco mais à frente, encontrou um grande lobo esfomeado.
– Não passas aqui sem que eu te coma! – disse o lobo.
A velhinha respondeu:
– Agora não. Eu vou ao casamento da minha filha e vou voltar mais gordinha.
E o lobo também a deixou ir embora.

No casamento da filha, a velhinha divertiu-se muito e comeu muito também…

Quando já estava para voltar para casa, lembrou-se do lobo e da raposa que estavam àsua espera. Então contou a história à filha e ficaram as duas a pensar numa forma para a velhinha voltar para casa sem ser vista.

Foram então à procura de alguma coisa onde a velhinha se pudesse esconder, experimentaram vários objetos, panelas, barris, até que encontraram uma grande cabaça onde ela cabia e conseguia espreitar para poder ver.

No caminho de volta para casa, a velhinha ia rodando a cabaça.

Quando passou pelo lobo este perguntou-lhe:
– Viste por aí uma velhinha?
– Nem velhinha nem velhão, roda cabacinha, roda cabação – respondeu-lhe a velhinha.
E continuou o seu caminho escondida dentro da cabaça.

Já ia um pouco mais descansada por ter conseguido enganar o lobo, quando a raposa se pôs no seu caminho.
– Viste por aí uma velhinha? – perguntou-lhe a raposa.
A velhinha respondeu:
– Nem velhinha nem velhão, roda cabacinha, roda cabação…

Pouco depois chegou a casa em segurança, bateu com a cabaça numa grande pedra que estava perto da porta e saiu de lá de dentro.

A velhinha continuou a dar os seus passeios, mas noutro sítio do bosque para não se cruzar novamente com o lobo e a raposa e eles ainda hoje continuam à espera que a velhinha volte do casamento da filha.

 

 

Os alunos do 4.º ano da EBI

    Luana

    Tomás Correia

    Tomás Pereira

O Lobo e a raposa 


Numa noite de lua cheia de Agosto, uma raposa esfomeada viu o reflexo dessa lua no fundo de um poço e pensou que era um queijo.

No poço ela encontrou dois baldes e desceu por um deles para o ir buscar.

Chegou ao fundo do poço e viu que se tinha enganado.

Passado algum tempo, apareceu por ali o seu compadre lobo e a raposa tentou enganá-lo convidando-o para a ajudar a comer o queijo.

O lobo acreditou e enfiou-se no outro balde.

E, como o lobo entrou num balde a raposa subiu no outro e deixou-o ali ficar até hoje.

Os alunos do 4º  ano da EBI:

    David

    Isaac

    Tomás Almeida

O Lobo e a raposa 

Um certo dia a raposa e o lobo mataram dois carneiros e fugiram. Depois que se acharam seguros, comeram um, e o outro ficou inteiro. Diz a raposa:

— Compadre, é melhor enterrarmos este carneiro, e virmos cá amanhã comê-lo juntos.

Então, diz o lobo:

— Mas se nem eu nem tu temos faro, como é que o havemos de o achar?

— Deixa-se-lhe o rabo de fora.

Assim se fez. No dia seguinte, apresenta-se o lobo e diz:

— Comadre, vamos comer o carneiro?

— Hoje não posso, tenho de ir a um batizado.

O lobo acreditou e a raposa foi ao lugar onde estava enterrado o carneiro e comeu um grande pedaço. No outro dia torna o lobo a perguntar-lhe:

— Que nome puseste ao teu afilhado?

— Comecei-te.

Responde o lobo:

— Que nome! Vamos comer ambos o carneiro?

— Ai compadre (diz-lhe a raposa), hoje também não pode ser; estou convidada para ir ser madrinha.

O lobo ficou desconfiado; a raposa tornou a ir comer sozinha. Ao outro dia, vem o lobo:

— Que nome deste ao teu afilhado?

— Meei-te.

— Que nome esquisito! (replica o lobo) Vamos comer o carneiro?

A raposa tornou a escusar-se com outro batizado, e foi acabar de comer o carneiro. O lobo vem:

— Como se chama o teu afilhado?

— Acabei-te.

— Vamos comer o carneiro hoje?

Foram e chegaram ao sítio. Assim que viram o rabo, disse a raposa:

— Puxa, com força, compadre.

O lobo puxou, e caiu de pernas para o ar. A raposa rindo-se safou-se para bem longe…

 

Os alunos do 4º  ano da EBI:

    Merlin

    Mirella




Manhouce

Marcha recolhida e cantada pelos alunos da Escola de Manhouce.

SANTIAGO DE CARVALHAIS


De acordo com o Novo Testamento, Tiago era filho de Zebedeu e Salomé, e irmão do apóstolo São João Evangelista. Nasceu em Betsaida, Galileia. Tal como o seu pai e o irmão, o apóstolo João, era pescador no Mar da Galileia, onde trabalharia com André e Simão Pedro, consertando as redes de pesca. Tiago, Pedro e João seriam os primeiros a abandonar tudo para seguirem Jesus como seus discípulos, tendo sido dos seus mais próximos colaboradores, ao participarem na Transfiguração, na Agonia de Cristo no Jardim das Oliveiras

Fonte: Wikipédia 

S. Tiago foi o primeiro Bispo de Jerusalém e foi mártir. O seu túmulo encontra-se na Galiza, em S. Tiago de Compostela. 
 Antigamente os Cristãos tinham muita devoção pelos mártires e visitavam os seus túmulos. 
 Durante a Idade Média havia muitas peregrinações de toda a Europa para Santiago de Compostela e os romeiros aproveitavam as vias romanas para se deslocarem. 
 Perto de Carvalhais passava uma estrada romana, por onde seguiam muitos peregrinos  a caminho de Santiago de Compostela. Como passavam por estas bandas e pernoitavam em casas particulares, semeavam a devoção a S. Tiago e assim apareceram terras com o seu nome: S. Tiago de S. Pedro do Sul e S. Tiago de Mangualde. À primeira terra chamaram S. Tiago do Monte e à segunda S. Tiago de Cassurães. Como em S. Tiago de S. Pedro do Sul se desenvolveu muito o carvalho, que era uma planta natural espontânea portuguesa, começou a chamar-se S. Tiago dos Carvalhos, que o povo mais tarde começou a chamar S. Tiago de Carvalhais. 
 Agora chamam-lhe só Carvalhais e a sua igreja é em honra de S. Tiago.

Fonte: Júlio Cruz, Lendas Lafonenses


Ilustrações dos alunos da turma dos 1.º e 2.º anos de Carvalhais, após trabalho do texto anterior

A Lenda de São Pedro do Sul, em ilustração continuada, ainda, pela turma dos 1.º e 2.º anos de Carvalhais. A mesma obra, Lendas Lafonenses, o mesmo autor, Júlio Cruz, uma outra história, a espontaneidade de sempre.

NOVIDADES DA TURMA DO 2.º ANO DA EBI

Contos, Lendas e narrativas de Lafões

 

Durante o segundo período, na disciplina de Educação Cultural, andamos a conhecer alguns contos, lendas e narrativas da nossa região. Por isso, no dia 21 de fevereiro, recebemos o senhor Luís Costa da Binaural/Nodar e uma figura da comunidade, para falarmos de lendas, dos sons que se podem juntar a essas lendas e das futuras gravações audiovisuais efetuadas durante as próximas sessões.

No final do ano letivo, iremos fazer uma apresentação pública desta temática ligada à tradição oral das gentes lafonenses.

 

NOTA: Visualizem o vídeo “Lendas e Sons de Lafões”.

“Moinhos da minha Terra”

 Alunos da Escola de Manhouce.

Primeira abordagem aos provérbios, feita pelos alunos da turma dos 2.º e 3.º anos de Carvalhais.


Ainda a turma dos 2.º e 3.º anos. Carvalhais. Olhares de fevereiro.

Provérbios e saúde. Dica pelos alunos da turma dos 2.º e 3.º anos. Ainda Carvalhais.


Lendas e Sons de Lafões II 

 Turma do 2.° ano da EBI

 

Na passada 6ª Feira, dia 22 de março, a turma do 2º ano da EBI, desenvolveu na sala 1 mais uma atividade em parceria com a Binaural/Nodar, no âmbito da Educação Cultural.

Nesta sessão lemos as seguintes lendas: A Cobra da Pena, O Morto que Matou o Vivo, A Senhora das Colmeias, o Diabo, A Estrada Assombrada, A Cabra que Matou o Lobo e a do São Macário.

A grande novidade deste trabalho foi a gravação áudio destas lendas. O senhor Luís Costa da Binaural/Nodar trouxe fotocópias das lendas, um gravador áudio, auriculares e microfones para gravarmos as nossas vozes a lerem as lendas lafonenses, e ainda fomos filmados pelo professor para mais tarde recordarmos.

 

NOTA : Visualizem o vídeo “Lendas e Sons de Lafões II” no youtube do agrupamento.

Narrativa da Lenda da Cárcoda ou Lenda da Mina do Bode, realizada pelos alunos do 3.° ano de Carvalhais. Introdução cantada: Leonor Martins e Matilde; narração: Leonor Martins; ilustração e montagem: alunos do terceiro ano.

 Mais novidades da turma do 2.° ano da EBI

Lendas e Sons de Lafões III

 

Aconteceu no pretérito dia 29 de março, nos jardins da EBI de Stª. Cruz da Trapa, o terceiro encontro com o Luís Costa da Binaural/Nodar, para gravarmos os diversos sons que animarão plasticamente as lendas lafonenses.
Mais uma vez, utilizámos o gravador e os microfones, para captarmos variadíssimos sons do meio ambiente e alguns emitidos pelas nossas cordas vocais.
 
Nota: Visualizem o vídeo Lendas e Sons de Lafões III, no Youtube do Agrupamento.

“Ó ZÉ”

Turma de Manhouce 

Canto tradicional de Manhouce

Sabedoria popular I


Se queres ver o teu corpo mata o teu porco.
Quem não poupa água e lenha não poupa nada que tenha.
Para o fim do mundo hão de ver-se coisas que nunca se viram.
Quem meus filhos beija, minha boca adoça.
Quem dá o pão, dá a criação. (educação)
O casamento é uma carta fechada.
No céu está um bolo que ainda não foi “insertado”, à espera da primeira pessoa que se tenha casado e nunca se tenha arrependido.
Nunca sirvas a quem serviu, nunca peças a quem pediu.
Se queres ajuda, pede a quem tem muito que fazer. 
Não é por muito madrugar que amanhece mais cedo.
A Páscoa é sempre no primeiro domingo a seguir à primeira lua cheia da primavera.
O alho pelo Natal tem bico de pardal. E pelo Entrudo tem que ter um bom bogalhudo.


Turma B - CARVALHAIS

Sabedoria popular Il


Lua nova trovejada trinta dias é molhada.

Outubro é o mês de São Miguel (padroeiro das colheitas). Novembro é o mês dos Santos (Por causa do dia 1). Dezembro é chamado mês do Natal.

Depois do mal feito, torce-se a orelha mas ela já não deita sangue.

O verão é a capa dos pobres.

Palavra dada, palavra honrada.

Guarda o que comer, não guardes o que fazer.

Guarda o que não preste e acharás o que é preciso.

Deitar cedo e cedo erguer dá saúde e faz crescer.

Deus ajuda quem cedo madruga.

Muito dá quem dá o que pode.

Amigo verdadeiro vale mais que o dinheiro.

Ovelha que berra, bocado que perde.

Quem veste roupa de fraco pano, veste-se duas vezes no ano.

Praga rogada com razão, cai nem que seja num cão.


Turma B - CARVALHAIS

janeiro

Não há luar como o de janeiro, nem amor como o primeiro. Mas vem o luar de agosto que lhe dá pelo rosto.

Laranjas em janeiro dão que fazer ao coveiro.

Em janeiro sobe ao outeiro. Se vires terrear põe-te a cantar; se vires verdejar põe-te a chorar.

A vinte de janeiro é uma hora por inteiro. E quem bem souber contar, hora e meia há de achar.


fevereiro

Fevereiro quente traz o diabo no ventre.

O fevereiro matou o pai ao soalheiro.

Em fevereiro é uma chuvada e uma risada.

Senhora das Candeias a rir, está o inverno p’ra vir. Senhora das Candeias a chorar, está o inverno a acabar. (dia 2)

“Uma velhinha dizia:

- Vai-te embora, fevereiro rabudo,

Que eu tenho os meus bezerrinhos

Todos os oito no curro…

Ao que o fevereiro respondeu:

- Cala-te aí, minha velha rona,

 Que vem aí o meu irmão março,

Dos meus dias faz quatro.

Faz-te andar de feira em feira

Com as peles debaixo do braço.”



março

Março, marçagão; de manhã orelhas de burro, à noite orelhas de cão.

Em março tanto durmo como faço.

Em março é merenda e pedaço.

Vinho que nasce e março é levado no regaço. Vinho que nasce em abril é levado num bandil (xaile). E vinho que nasce em maio é levado num balaio (cesto).

Podar em março é ser madraço (preguiçoso).

Lua nova marcelina, seis meses dita o clima.


abril

Em abril águas mil.

Em abril ainda se queima carro e carril. E se algum bocado sobrar ainda em maio se há de gastar.

Ramos molhados, anos melhorados.

Natal ao soalheiro é Páscoa ao borralheiro. (e vice versa)

Se o cuco não canta em abril, ou é morto ou não quer vir.



maio

Em maio ainda se comem as cerejas ao borralho.

As trovoadas de maio fazem as fontes brotar.

Vinho que nasce em maio é pró gaio.

Chuva na Senhora da Ascensão até as pedras dão pão. (dia 26)

Maio chuvoso ano formoso.

Maio molhado enche a tulha e farta o gado.


junho

Entre o Santo António (dia 13) e o São Pedro (29) é que a vinha tem medo.

A chuva de São João bebe o vinho e come o pão.

Maio frio, junho quente, bom pão, vinho valente.

Junho, foice em punho.

Junho floreiro, paraíso verdadeiro.



Turma B - CARVALHAIS

julho

Ao quinto dia de julho, verás que mês trás.

Pelo São Tiago pinta o bago.

Frio de julho abrasa em San’ tiago. (dia 25) 

Pela Santa Ana limpa a pragana. (dia 26)


agosto

Casamento em agosto é desgosto.

“Senhora da Nazaré, não te volto a rezar.

Tiraste-me a merenda e uma hora ao jantar”.

Dia de São Bartolomeu anda o diabo à solta. (dia 23)

Chuva em agosto apressa o mosto.

Se queres ver o teu homem morto dá-lhe couves em agosto.



setembro

Pelo São Mateus não peças chuva a Deus. (dia 21)

Lua nova setembrina seis meses dita o clima.

Setembro, cara de poucos amigos e manhãs de figos.

Setembro molhado, figo estragado.

Setembro, andando e comendo.

Chuvas verdadeiras, em setembro as primeiras.

São Miguel das uvas, tanto tardas e tão pouco duras.


outubro

Logo que outubro venha procura lenha.

São Miguel soalheiro, enche depressa o celeiro.

Em outubro recolhe tudo.

Outubro chuvoso faz o ano venturoso.

Outubro nublado, janeiro molhado.

Pelo São Simão, favas no chão.



novembro

Dos Santos ao Natal é inverno natural.

Pelo São Martinho, deixa a água p’ro moinho.

A castanha vai com quem a apanha.

Pelo São Martinho, castanhas e vinho.

Novembro à porta, geada na horta.


dezembro

Ande o frio por onde andar, pelo Natal há-de chegar.

Os dias pelo Natal dão um salto de pardal; em janeiro dão um salto de carneiro. 

Dezembro molhado, janeiro geado.

Dezembro frio, calor no Estio.

Em dia de Santa Luzia, cresce a noite e minga o dia. (dia 13)

Turma B - CARVALHAIS